NUMA CASINHA AO LONGE VELHINHA


Numa casinha, ao longe velhinha,
À luz mortiça, de uma fogueira, em desalinho.
Estava uma criança, sentada numa pequena caixinha,
Com o seu pai, na sua companhia, que avizinha,
Um pedaço de pão seco, com toucinho. 

Diz num momento, a pobre criancinha,
A seu pai sentado, num banquinho, de pinho.
-Ouvi dizer, que hoje é dia de receber uma prendinha,
E que há crianças, que recebem: jogos, roupinha,
Brinquedos... que o Pai Natal, lhes dá tudinho?

-Claro que sim, minha querida filhinha,
-Diz-lhe numa triste mágoa, o pai baixinho,
-São mundos diferentes... da nossa escrava vidinha,
Outro planeta, outro Deus, outra raça de gentinha,
Em que todos, tem direito, a esse miminho.

Olhando para seu pai, de ar tristinha,
Com um bocado de pão numa mão, e na outra o queixinho,
Pergunta de novo a seu pai, cansado do trabalho, que vinha,
De copo na mão, com vinho, da cor da miséria, que tinha. 
- Onde é esse planeta... Paizinho?

António Almeida