RASGA-ME QUIMERA O MEU PEITO 


 Rasga-me quimera, o meu peito, 
Deixa-o lacerado no teu monstruoso manejo. 
Cobre-o com teu olhar luzido, suspeito, 
Arrasta-me ao teu inferno lampejo.

 Diz-me, que sou o mártir perfeito, 
Das tuas garras, e faminta boca com traquejo. 
Voando entre montes e vales até firme leito, 
Penetrando-te no teu profundo latejo. 

 Nos ecos, por gritos rubros, desfeito, 
Das visões fantasmas dos olhares em festejo, 
 Em rítmicas ardências de corpo eleito. 

 Onde entro num delírio, sem pejo, 
Nas entranhas vulcânicas em lavas satisfeito, 
Por um sonho meu, místico de desejo. 

 António Almeida