Como amo-te?... Vou-te dizer, 
A feição. Em poesia, com toda a paixão. 
Abrandando mais o ritmo do coração, 
Num fervor de loucura a conter. 

 Amo-te!... Como eu fogo, ser, 
Que flameja. Sem saber, sem explicação. 
Correndo vales e serras; uma vastidão, 
Que ninguém consegue deter. 

Amo-te! Com ânsia, desejo, prazer, 
De chama viva e mais vida; um clarão. 
Que arde sem se ver a arder. 

Fala - não sente. Amor, é ter, sem obsessão,
Anda dentro do coração de toda gente; é querer. 
Amo-te! Sem precisares de saber a razão. 

autor
 António Almeida

Apenas, 
Quem sabe plantar,
Árvores grandes ou pequenas, 
Das que se plantam ás centenas, 
As sabem alimentar.

autor
António Almeida



Talvez esta minha grande dor, 
Não seja mais do que um certo amor néscio. 
Com palavras não adormecidas, deixadas no interior, 
Subestimando os meus sentimentos, criando um temor, 
Que se vai enraizado, neste doloroso silêncio.


António Almeida

Meu olhar de procurar-te anda ao redor;
Minha mente, por bem querer-te, perdida;
Como é estranha a vida de quem não tem dor,
Na certeza de que até vivem bem sem amor,
E eu aqui, demente... oh! Vida.


autor
António Almeida

Meu mundo, 
São os olhares, que a mim se unem. 
Os demais, são as lágrimas que me caem... 
O pago, por triste meu, engano profundo. 

autor 
António Almeida


CULTAS MENTES EM DECADÊNCIAS


Cultas mentes em decadências, 
Reduzis, nos vossos olhares, a inveja; 
Observai-a, observai-a, em peleja;
Que só traz ódios, e violências;

Podeis, viver, das influências,
Dos que cobiçam, em que a inveja reja;
Notai-a, notai-a, que assim bem seja;
Os vossos males, vossas demências;

Pobres mentes, pobres inteligências,
Consumidas de ciúme, servida em bandeja,
Cheirando a vinolências, a deficiências;

Que em sussurros, a vós, vos fareja,
Sem misericórdias, sem resplandecências,
E vos leva a que vós caiais numa enseja.

António Almeida

Enquanto os olhares se lançam,
As bocas bafejam-se em murmúrios…
Os corpos atordoados avançam,
E em tornado dançam,
Sem tugúrios...

autor
António Almeida

A VIDA É TEMPO QUE PASSA 
E NÃO SE SENTE PASSAR


A vida é, tempo que passa, e não se sente passar; 
É, desejo de querer, possuído de vontade, e não querer; 
É, ânsia constante, náusea, difícil de se conter; 
É, animo, que desanima, sem se resignar; 

É, lutar, até onde não mais se poder, e nada lutar; 
É, querer mais, mais que mais querer mais, e nada ter;
É, consequência da incerteza, ganhar, perder;
É, entusiasmado, desanimado, se andar;

É, mistério, cuja chave a desvendar é, continuar;
Construída de sonhos, e realizada de incertezas, ser,
Prosseguindo o que começou, até ao fim chegar.

E, com justa causa própria, anda assim, até morrer;
Tão leviana, que com o tempo, só nos resta conformar,
Sendo o mesmo que dizer: não há nada a fazer.


António Almeida


Se, com quatro letras pequenas, 
Se, escreve a linda palavra amor. 
É com três malditas letras apenas, 
Entre tantas outras ás centenas, 
Que se escreve a palavra dor.


autor
António Almeida

LONGE ESTÁ LONGE FICA QUEM AMO



Longe está, longe fica, quem amo,
Desde a hora, em que seu amor, foi meu.
Nos meus dias, saudades, não reclamo,
Apesar da poesia, murmurar, mais eu.

E lágrimas, na face, não derramo,
Por bem sentir, que meu coração, é seu.
Submisso, ao meu fado, que não recamo,
Vivo, esta paixão, que o amor me deu.

O vento, agita-me, a mim, eu ramo,
Dançando as baladas, de quem por amor sofreu;
Tragédias cruéis, que eu contente, não clamo.

Sonhando com o amor, que me apareceu,
E tão cego me fez, me faz, desejo, e não chamo;
Vivendo feliz, com o que a vida me ofereceu.

António Almeida