TENHO NAS MÃOS A VIDA

Tenho nas mãos, a vida, 
E no meu coração louco, ardor. 
Voo por entre sonhos sem medida, 
Com uma imaginação fértil bandida, 
Por te querer amar sem pudor. 

Não sou águia batida, 
Nem tenho astúcia de condor. 
Mas sei, que sou uma ave perdida, 
Que te quer nas garras concedida, 
Sem te provocar dor. 

E no meu corpo, estendida, 
É me igual, que faleças, num clamor. 
Pois vais morrer um dia, querida, 
Que vivas de amor possuída, 
Para não morrer o amor.

autor
António Almeida
Aqui, te deixo, uma rosa,
Pois mil, poderia te deixar.
Mas uma só, desejo meu mata;
A vontade de te amar.

António Almeida
Aqui, te deixo, uma rosa,
Pois mil, poderia te deixar.
Mas uma só, desejo meu mata;
A vontade de te abraçar.

António Almeida
         SAUDADES

Oh! Louca noite minha... 
Tira-me o que tu bem quiseres; 
Tira-me o céu, tira-me a estrelinha, 
Tira-me a luz, tira-me a loasinha, 
Mas as saudades, não me tires. 

Não me tires, noitinha... 
Nestas horas, se bem me queres; 
Como se foces minha suberana rainha, 
Senhora da minha própria vinha,
Sem minha cede conteres. 

Porque, sei certo, que não convinha, 
O desvaneio, que não muda, a saberes; 
Se bem conforta minha pobre alma sozinha, 
Que, de outra forma, nada não, obtinha, 
Recordações, que tirasses sem deveres. 

Tira-me tudo, saudades?... nadinha, 
Para mais louco, loucamente, me veres; 
Porque sem elas, decididamente intervinha, 
Quanto menos sonhado, o fim da linha, 
 Se assim, por mal a mim, o fizeres

autor
António Almeida
AMOR DISTANTE 

O vento, sopra; 
             E não me leva. 
O vento, vêm; 
             E não te trás. 
O vento, passa; 
             E nada me diz. 
O vento, nem sonha; 
             O quanto eu gosto de ti. 

autor
António Almeida

Vinde, prazeres, que não chamo,  
Entre arvores,  folhas, flores e ramos, 
Em força intensa, tempestades, que não reclamo. 
Levai-me a chuva, arrastai-me a lama, que eu me acamo,
Ouvindo gemidos suaves dos teus lábios nos meus ouvidos amo,  
Porque bem sinto que ambos loucos nos amamos.


autor
António Almeida
OH, MINHA QUERIDA MÃE! 

Oh, minha querida Mãe! Oh, minha querida amada! 
Hoje é o teu dia, o dia da Mãe, a bem ao mundo celebrada, 
Parabéns minha Mãe! Parabéns minha adorada! 
Tu és para mim, a mulher mais sagrada. 

autor 
António Almeida
NÃO LAMENTES, Ó MULHER, A TUA VIDA


Não lamentes, ó mulher, a tua vida;
Mulher, tem sido na descriminação, a culpada;
Forma mal os filhos, não quer ser julgada,
E dos erros do passado está distraída:

Mulher foi menina, e menina a casa lida;
Menino por menina, na casa não alcança a enxada;
Mulher ensina, mulher ser, restrita, esforçada,
Homem virtuoso, falocrata, não margarida:


E essa gente famosa, que muito fala, sem medida,
Entre outras mil vaidosas, que falam muito, e não fazem nada,
Formeis bons homens hoje, para amanhã não ser a partida.

Toda a mulher é, não fiques duvidosa, acusada,
Deveria a seu bem, incutir nos filhos os defeitos, destemida,
Mas induz-os com mais vícios. E, reclama da asneirada.


autor
António Almeida

COMO AMO-TE?... VOU-TE DIZER


Como amo-te?... Vou-te dizer, 
A feição. Em poesia, com toda a paixão. 
Abrandando mais o ritmo do coração, 
Num fervor de loucura a conter. 

 Amo-te!... Como eu fogo, ser, 
Que flameja. Sem saber, sem explicação. 
Correndo vales e serras; uma vastidão, 
Que ninguém consegue deter. 

Amo-te! Com ânsia, desejo, prazer, 
De chama viva e mais vida; um clarão. 
Que arde sem se ver a arder. 

Fala - não sente. Amor, é ter, sem obsessão,
Anda dentro do coração de toda gente; é querer. 
Amo-te! Sem precisares de saber a razão. 

autor
 António Almeida

Apenas, 
Quem sabe plantar,
Árvores grandes ou pequenas, 
Das que se plantam ás centenas, 
As sabem alimentar.

autor
António Almeida

Talvez esta minha grande dor, 
Não seja mais do que um certo amor néscio. 
Com palavras não adormecidas, deixadas no interior, 
Subestimando os meus sentimentos, criando um temor, 
Que se vai enraizado, neste doloroso silêncio.


autor
António Almeida

Meu olhar de procurar-te anda ao redor;
Minha mente, por bem querer-te, perdida;
Como é estranha a vida de quem não tem dor,
Na certeza de que até vivem bem sem amor,
E eu aqui, demente... oh! Vida.


autor
António Almeida

Meu mundo, 
São os olhares, que a mim se unem. 
Os demais, são as lágrimas que me caem... 
O pago, por triste meu, engano profundo. 

autor 
António Almeida


CULTAS MENTES EM DECADÊNCIAS


Cultas mentes em decadências, 
Reduzis, nos vossos olhares, a inveja; 
Observai-a, observai-a, em peleja;
Que só traz ódios, e violências:

Podeis, viver, das influências,
Dos que cobiçam, em que a inveja reja;
Notai-a, notai-a, que assim bem seja;
Os vossos males, vossas demências:

Pobres mentes, pobres inteligências,
Consumidas de ciúme, servida em bandeja,
Cheirando a vinolências, a deficiências:

Que em sussurros, a vós, vos fareja,
Sem misericórdias, sem resplandecências,
E vos leva a que vós caiais numa enseja.

autor
António Almeida