PRECISO DE SER


Preciso de ser! Uma lágrima do teu olhar,
E pelo teu maravilhoso imaculado rosto caminhar.
Arrastado ao sabor do vento a cambalear,
Sentido o teu desalento a soluçar.


Preciso de ser! A frágil lágrima do teu pensar,
Sendo mastigado pelos teus lindos lábios devagar.
Onde passa o afamado desejo
 de um beijar,
Que cobre uma parte do verbo amar.

Ser, o teu alimento apetecido a te alimentar,
Na tua tremula boca por bem te querer me espalhar,
Enquanto não sinto a morte em mim chegar.

Ser, um ardente fremente sem se sentir cessar,
Nos teus tristes lábios mórbidos de saudades a chorar,
Morrer na tua boca assassinado por amor a gritar.

António Almeida