LEVEI-TE À VIAGEM DO MEU SOFRIMENTO


Levei-te, à viagem do meu sofrimento,
Para ficar na minha desgraçada solidão.
Na partida, provoquei um forte afastamento,
Afim de não ferir o meu pobre coração.

Vi-te partir, como um sopro de vento,
Ficando no momento, sem voz, nem reação.
Querendo chorar, clamar de descontentamento,
Mas contive a minha forte emoção.

No regresso a casa, senti o desalento,
Da trágica loucura da minha grande paixão;
Meu olhar, estava num afogamento.

Chorei, chorei, gritei! Numa aflição.
Horas e horas, nas saudades, em lamento,
Aliviando assim, a minha tensão. 

António Almeida