OLHO O ESPAÇO E VEJO UM QUEIJO



Olho o espaço e um queijo vejo
Obcecado fico e mais nada vejo
No meu olhar, ai que despejo
Que maravilhoso pelejo

Barrava-o mais fino, que pejo
Comia-o, num oscilatório lampejo
Saboreava-o, no meu brejo
Mas que forte desejo

Passa por mim num flamejo
Com um compasso de um longo cortejo
E o meu olhar fixa-se no seu traquejo

E assim olhando, estupefacto, bocejo
Do que vejo e não sinto gracejo
Digo só: Que rico queijo

António Almeida